Mostrando postagens com marcador Gramática para concurseiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gramática para concurseiros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Cuidado com o "LHEÍSMO"!

Olá, galera!! Estava com saudade de vocês.

Primeiramente, desculpem-me por ter demorado quase um mês para republicar no ‘blog’. A vida anda muitíssimo corrida e, em função disso, não consigo escrever com a frequência que me agrada.
De qualquer modo, a chamada de atenção desta postagem vai para o uso dos pronomes pessoais do caso oblíquo.
Tenho notado que a grande maioria das pessoas troca o uso de um pronome equivalente a objeto direto por um correspondente a objeto indireto (e vice-versa). Como assim?
Na tentativa de “sofisticar” um pouco o discurso, alguns falantes/escreventes utilizam formas como “Abracei-lhe demoradamente”, “Mais tarde eu lhe vejo”, etc. Em busca de uma construção mais erudita, as pessoas cometem o chamado “lheísmo”, isto é, elas acabam utilizando o pronome “lhe” em situações não indicadas.
Quando usar o pronome “lhe” em circunstâncias apropriadas, então? Vamos lá!
Na Língua Portuguesa, pessoal, existem os chamados pronomes pessoais átonos do caso oblíquo, que são os que seguem:  me, te, se, nos, vos, o(s), a(s), lhe(s), se. Eu sei que a designação desses pronomes é um tanto complicada (para não dizer “chata”), mas eles não são um bicho-papão. 
Essas palavrinhas mencionadas podem substituir os complementos verbais (ou seja, o objeto direto e o indireto). A substituição, contudo, não pode ser aleatória. Dessa maneira, alguns desses pronomes apenas podem ocupar o lugar do objeto direto, ao passo que outros somente ocupam a posição do objeto indireto. Vou esquematizar o que acabei de explicar:

               

Diante do exposto, galera, o pronome “lhe” não deve ser empregado “a torto e a direito”. Só devemos utilizá-lo com verbos transitivos indiretos (aqueles que admitem a pergunta “a que[m]”, “de que[m]”). 
Por isso, as normas da Gramática Tradicional priorizam o uso de “Eu lhe obedeço sempre”, já que o verbo “obedecer” é transitivo indireto (= Eu obedeço aos meus pais sempre). Aproveitando o exemplo que dei um pouco acima, o mais adequado não é “abraçar-lhe”, mas “abraçá-lo” ou “abraçá-la”, uma vez que “abraçar” é transitivo direto (Abracei-o demoradamente = Abracei o meu irmão demoradamente). Os únicos pronomes oblíquos átonos que podem ser usados tanto com transitivos diretos quanto com indiretos são “me”, “te”, “se”, “nos”, “vos”.
Outro probleminha bastante recorrente é o uso de “te” sem que o contexto exija a segunda pessoa do singular (TU). O pronome “te”, gente, é a forma oblíqua de “tu”; dessa maneira, somente deve ser utilizado em contextos de segunda pessoa:

Joaquim, tu podes fazer o favor de antecipar a entrega do arquivo? Se conseguires fazer isso, o diretor te bonificará em agradecimento.
* Ou “bonificar-te-á” (se você quiser “gastar” um pouquinho do seu conhecimento de colocação pronominal).

É isso! Tenham uma ótima noite. Qualquer dúvida, escrevam-me.

Grande abraço.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

O elevador e "o mesmo": pode isso?

Olá, galera! Tudo bem?

Certamente, vocês já viram aquela famosa plaquinha presente nos edifícios: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.
Ok! Você já reconheceu a advertência, mas qual é a relação dela com a postagem de hoje?

Amigos, se vocês me permitirem dar uma dica de redação, não hesitarei em anunciar: EVITEM O USO DE “O MESMO / A MESMA” COMO PRONOME PESSOAL!!! Por quê? Como assim?
Na escrita – e, às vezes, na fala –, muitas pessoas utilizam a palavrinha “mesmo” com o objetivo de evitar a repetição de termos já usados na sentença. Por esse motivo, sempre encontramos por aí frases do tipo:
A professora precisou falar com os pais da garota, e os mesmos afirmaram não saber do incidente.

Percebam que não há necessidade alguma de empregar a expressão “OS MESMOS”, já que poderíamos substituí-la (tranquilamente!) pelo simples pronome “ELES”:
A professora precisou falar com os pais da garota, e ELES (os pais da garota, oras!) afirmaram não saber do incidente.

Utilizar o pronome em questão (“eles”) evita a repetição de “os pais da garota”, faz referência clara à expressão anterior (função anafórica do pronome em pauta) e resolve todo o problema da escrita. Não é preciso recorrer ao uso de “os mesmos”, até porque “MESMO” não funciona como pronome pessoal, minha gente! ISSO NÃO SIGNIFICA QUE NÃO DEVAMOS UTILIZAR A PALAVRA “MESMO” NUNCA MAIS. Quando poderemos empregá-la, então, meu Deus? Nos casos abaixo, por exemplo:

* Com valor de reforço (ênfase):
- Ele MESMO preferiu abrir o envelope. => equivale a “Ele PRÓPRIO resolveu...”.

* Com valor de adjetivo:
- Pai e filho têm os MESMOS hábitos. => eles têm gostos IGUAIS (ideia de IDENTIDADE e de IGUALDADE entre as coisas).

* Com valor de advérbio:
- Ela está com um novo namorado MESMO? => REALMENTE, DE FATO, DE VERDADE.

* Com valor de conjunção concessiva:
- MESMO QUE resolva ficar em casa, não se esqueça de me avisar => equivale a “AINDA QUE”.

* Com valor indicativo de limite (equivale ao uso de “ATÉ”):
- MESMO as pessoas que se diziam solidárias nunca mais apareceram para ajudar. => corresponde a “Até as pessoas que se diziam solidárias nunca mais apareceram para ajudar”.

* Com valor de “a mesma coisa”, em forma neutra:
- Ontem à noite, fiquei em casa e assisti a dois seriados. Pretendo fazer O MESMO hoje.

Tornando à advertência relacionada ao elevador, afirmo que, segundo os padrões tradicionais da língua, o aviso está escrito de maneira inadequada. Sim, pessoal! A lei em questão está escrita de modo inadequado. Quando vocês virem uma plaquinha semelhante, lembrem-se de que o uso de O MESMO / A MESMA não cabe para os casos de substituição de alguma palavra por pronome pessoal. Utilizem os pronomes pessoais ELE / ELA ou os relativos OS QUAIS / AS QUAIS.
Última dica: não é nada elegante escrever O MESMO / A MESMA nos casos como o do elevador. Nadinha mesmo! => [E ESSE ÚLTIMO "MESMO" É ADVÉRBIO.]

Abração. Até a próxima!


terça-feira, 17 de junho de 2014

Os óculos e o plural da língua...

Olá, caríssimos amigos.

O assunto desta postagem resume-se na palavra “ÓCULOS”. Sim, é isso mesmo!
Vocês já ouviram dizer que, segundo os padrões mais tradicionais da Língua Portuguesa, o termo “óculos” é uma palavra no plural? Por essa razão, devemos falar/escrever:

Os meus óculos novos são maravilhosos.
Perdi os meus óculos.
Os óculos do Pedro ficaram dentro do carro.

Isso tudo parece muito estranho? A explicação para o fato remete a um fenômeno morfológico designado “PLURALIA TANTUM”. Segundo o dicionário Houaiss, “‘pluralia tantum’ é uma expressão latina com que são referidos os substantivos de uma língua cuja forma é um plural morfológico, mas que semanticamente podem denotar uma única unidade”. Resumidamente, pessoal, a expressão latina ‘pluralia tantum’ significa “apenas plurais”. Na Língua Portuguesa, existe uma série de substantivos que somente ocorrem no plural, como núpcias, férias, pêsames, parabéns, ÓCULOS, etc.
Acontece que, em se tratando do USO linguístico, é evidente que as pessoas percebem a palavra “óculos” como um termo no singular, haja vista o fato de a palavra fazer referência a um único objeto. Quando falamos “óculos”, geralmente fazemos menção a uma coisa só, a uma unidade apenas, não é mesmo? Por que, então, precisamos utilizar o plural?
De acordo com as normas da Gramática Tradicional, o termo “óculos” faz referência, na verdade, a UM PAR DE LENTES. Dessa forma, temos um objeto constituído de duas partes simetricamente duplicadas. Seguindo esse raciocínio, podemos enquadrar, também, as palavras “calças”, “cuecas” e “tesouras”. É isso mesmo! Na realidade, gente, esses termos todos que eu mencionei também integram o grupo do "PLURALIA TANTUM". A frequência de uso de tais palavras no SINGULAR, entretanto, já fez com que a forma plural fosse quase esquecida pelos falantes. Reparem, contudo, que é mais complicado dizer “óculo” em vez de “óculos”; até mesmo porque, se assim fizermos, vamos mudar o sentido da palavra, já que “óculo” (sem a marcação do “-s”) significa LUNETA, e não aquele nosso velho conhecido usado para nos auxiliar na leitura.
Pessoal, outra coisa que eu gostaria de destacar é a seguinte: o termo “óculos” é uma forma no plural não apenas por terminar em “-s”, mas principalmente por pertencer ao mencionado grupo do “PLURALIA TANTUM”. Se todas as palavras terminadas em “-s” estivessem no plural, não poderíamos dizer “O ÔNIBUS” e “O LÁPIS”, não é? Ah! “Ônibus” e “lápis” são palavras cujo número (singular/plural) somente pode ser definido pelos seus determinantes (artigos, adjetivos, etc.), uma vez que a palavra em si permanece a mesma nos dois casos (o ônibus / os ônibus).

Para finalizar, aconselho todos a saberem que a palavra "óculos" está no plural e que, por isso mesmo, precisamos dizer/escrever "OS MEUS ÓCULOS SÃO GRANDES" caso alguém resolva avaliar o nosso nível gramatical (provas de concursos e de vestibulares, por exemplo). Se estivermos em uma situação informal, todavia, não vejo problema em utilizar o termo no singular; afinal, estamos falando de um único objeto. A língua é assim mesmo: está em constante movimento e em frequente mudança. Penso que chegará o dia em que o termo "óculos" somente será utilizado no singular. Quem sabe?

UMA CURIOSIDADE: em inglês, a palavra “óculos” (GLASSES) também é escrita no plural, minha gente! Também o são os termos “tesouras” (SCISSORS) e “calças” (TROUSERS ou PANTS).

Abraços. Até a próxima!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

"EM VEZ DE" ou "AO INVÉS DE"? E agora?

Olá, galera! Tudo bem? Espero que sim.

Nesta postagem, vamos saber quando empregar – segundo os padrões da língua culta – “ao invés de” e “em vez de”. Vocês acham que tais expressões são sinônimas e podem sempre ser trocadas, sem prejuízo de sentido? Devo dizer-lhes que “DEPENDE”. 


  • “Ao invés de” deve ser utilizado SOMENTE para marcar OPOSIÇÃO entre duas situações, uma vez que o termo “invés” significa inverso, oposto. Dessa forma, podemos afirmar que a expressão “ao invés de” equivale à perífrase “ao contrário de”.

  • “Em vez de”, por seu turno, deve ser usado com o sentido de SUBSTITUIÇÃO (= “em lugar de”) e, também, com a noção de OPOSIÇÃO. Consequentemente, podemos concluir que, quando quisermos expressar oposição, teremos a opção de utilizar “ao invés de” ou “em vez de”, mas, se quisermos expressar somente a noção de SUBSTITUIÇÃO, teremos de optar pelo uso de “em vez de”.

Esquematicamente,
 IDEIA DE OPOSIÇÃO: 
As duas expressões podem ser usadas, mas é mais aconselhado o emprego de “ao invés de”.
Ex.:
Marina, ao invés de RIR da situação, CAIU NO CHORO.
=
Gabriela, em vez de RIR da situação, CAIU NO CHORO.

IDEIA DE SUBSTITUIÇÃO: 
Apenas “EM VEZ DE” (não tem jeito!).
Ex.:
“Em vez de fazer compras para a mãe, preferiu continuar jogando futebol.”
Percebam que fazer compras para a mãe e jogar futebol NÃO SÃO ideias contrárias e realmente opostas, né?


Gostaram? Simples!
Aproveito para desejar-lhes um FELIZ DIA DOS NAMORADOS e uma ótima abertura da COPA DO MUNDO. Beijem muito. 
Que o dia de hoje seja doce!

Até a próxima!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

MEIO, BASTANTE, MESMO, ANEXO, QUITE, MENOS, ALERTA, etc.: os casos especiais de concordância nominal

Olá, pessoal. Tudo bom? Hoje extraí todos os meus dentes do siso e, por isso, estou com bastante dor. Mesmo assim, senti-me animada para escrever algumas dicas práticas de Gramática Normativa para vocês. Vamos lá!

Sabemos que, quando o assunto é CONCORDÂNCIA NOMINAL, a regra geral é a que prescreve o seguinte: o(s) adjetivo(s) concorda(m), em gênero e em número, com o substantivo (núcleo do sintagma) a que se refere(m), como em:
Flores raras. => O adjetivo “raras” concorda, em gênero (feminino, no caso) e em número (plural) com o núcleo substantivo “flores” (palavra feminina, no plural).
Até aqui, tudo parece muito bom e muito simples, não é? Existem, no entanto, algumas situações um pouco mais complexas, como quando o mesmo adjetivo se refere a dois ou mais substantivos (ex.: “Tenho por vocês claro respeito e admiração”). Esse assunto poderá (e deverá!) ser abordado em outra postagem, haja vista a quantidade significativa de regrinhas para alguns casos semelhantes ao apresentado. Hoje vamos tratar, mais particularmente, das situações especiais de concordância nominal.


Concordância com MESMO, PRÓPRIO, JUNTO, INCLUSO, QUITE e ANEXO:
Todas essas palavrinhas, quando assumem a função de ADJETIVO, flexionam-se de acordo com o substantivo a que se referem. Dessa maneira:
- Ela MESMA fará o discurso amanhã.
- A PRÓPRIA Joana assumiu a culpa pelo atraso.
- As minhas filhas sempre vão JUNTAS para a escola.
- Todas as taxas já estão INCLUSAS.
- É evidente que, a partir de agora, todos nós estamos QUITES.
- Os arquivos seguem ANEXOS ao e-mail.

ATENÇÃO TRIPLA!!!
1) A palavra “ANEXO”, quando acompanhada da preposição “em”, torna-se invariável. Assim, “OS ARQUIVOS ESTÃO EM ANEXO” (no singular mesmo).
2) A palavra “MESMO”, quando assume o caráter de advérbio (= realmente), fica invariável. Dessa forma, “NÓS GOSTAMOS DE FRUTAS MESMO” (= realmente, de fato).
3) “JUNTO”, quando acompanhado de preposição antecedente (“de”, “a” ou “com”), fica invariável: “OS DOCUMENTOS SEGUEM JUNTO COM O / DO TERMO DE RESPONSABILIDADE”.


Concordância com MEIO e BASTANTE:
Quando essas palavras funcionam como adjetivos, concordam, em gênero e em número, com o núcleo substantivo:
a) O Pedro quis tomar apenas MEIA cerveja hoje (MEIA = METADE).
b) Eu tomei vários MEIOS cálices de vinho ontem (vários MEIOS = várias METADES).
c) Há BASTANTES pessoas no salão de shows.
d) Tinha BASTANTE gente prestando o concurso de ontem.

 Essas mesmas palavras, contudo, ficam invariáveis quando assumem o valor de advérbio:
a) Percebi que a primeira candidata estava MEIO nervosa na entrevista (MEIO = UM POUCO, UM TANTO).
Aqui, a palavra “meio”, por funcionar como advérbio, não concorda com o substantivo “candidata”.
b) Nós gostamos BASTANTE de estudar Língua Portuguesa (BASTANTE = MUITO).
Nesse caso, "bastante" contempla o sentido de intensidade em relação ao verbo “gostar”, ou seja, apresenta o mesmo funcionamento do advérbio intensificador “muito”.
Percebam que, quando essas palavras estiverem relacionadas ao substantivo, elas serão variáveis e, portanto, sofrerão flexão de acordo com o próprio núcleo substantivo a que se referirem. Quando estiverem relacionadas ao verbo, atribuindo intensidade a ele, deverão permanecer invariáveis, justamente por adquirirem status adverbial (conforme a própria expressão indicia, “[ad]vérbio” é o termo que se relaciona com o verbo).


CONCORDÂNCIA COM “ALERTA” E “MENOS”:
Essas palavras permanecem invariáveis; por isso, temos o seguinte:
a) Os soldados estão sempre ALERTA.
b) Na palestra deste ano, havia MENOS pessoas.
Galera, aproveito para destacar que, de acordo com a Gramática Tradicional, a palavra MENAS não deve ser utilizada nunca, ainda que se refira a um substantivo feminino.

 É só isso. Abraços. Bom final de semana!



terça-feira, 20 de maio de 2014

“HÁ” ou “A”?: noções de tempo

Olá, pessoal! Tudo bom?
Na escrita, as pessoas geralmente ficam confusas em relação ao emprego do verbo “há” (haver) ou da preposição “a” para a indicação de tempo. Uma dica simples para diferenciar o uso das duas formas é a seguinte: o verbo “HAVER” é utilizado com a noção de TEMPO DECORRIDO, ou seja, de tempo PASSADO, a partir do momento atual. A preposição “A”, em contrapartida, é utilizada para fazer referência a noções temporais FUTURAS, ou seja, que ainda acontecerão. Vejamos as diferenças:

HÁ/HAVIA (HAVER - verbo):
Estou sem comer chocolate HÁ quase dois anos.
Não vejo a Paula HÁ mais de cinco semanas.
Os irmãos não paravam de brigar HAVIA mais de quatro horas.

A (preposição):
Daqui A uma semana, será o casamento.
Estamos A poucos meses das próximas eleições.

Fácil, não é?
Abraços.

                 

terça-feira, 13 de maio de 2014

ESTAR GANHO & TER GANHADO: ele pensou que tivesse GANHADO na loteria...

Olá, galera! Tudo bem?
Antes de começarmos o assunto desta postagem, precisamos saber o que é particípio. Resumidamente, PARTICÍPIO é uma das formas nominais do verbo, assim como o infinitivo e o gerúndio. Além de apresentarem valor verbal, essas formas também podem desempenhar função de nomes; por essa razão, são chamadas de formas nominais. O particípio (termina em –ado ou em –ido), por exemplo, pode valer por um adjetivo (homem sabido). É imprescindível saber, ainda, que o particípio exprime, basicamente, a conclusão de uma ação verbal.
(*BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa, 2006, p. 224.)

Muitos verbos apresentam como particípio a FORMA REGULAR terminada em “-ado” (primeira conjugação) ou “-ido” (segunda e terceira conjugações), como:
CANTAR (primeira conjugação): cantado.
CORRER (segunda conjugação): corrido.
PARTIR (terceira conjugação): partido.

Outros verbos, contudo, apresentam duas formas para o particípio: a regular (normal) e a irregular (reduzida). Esses verbos são chamados de abundantes.
ACEITAR: aceitado (particípio regular) e aceito (particípio irregular).
ACENDER: acendido (particípio regular) e aceso (particípio irregular).
IMPRIMIR: imprimido (particípio regular) e impresso (particípio irregular).

Se houver “abundância” (rsrs...), quando devo utilizar a forma regular e quando devo usar a outra? Muito bem... Basta prestar atenção nos verbos que antecedem o particípio em questão. Como eles geralmente formam locuções verbais, o verbo auxiliar será o grande responsável pela determinação do tipo do particípio. Dessa forma, se o auxiliar for o verbo “TER” ou “HAVER”, o particípio será REGULAR; se os auxiliar for “SER” ou “ESTAR”, o particípio ficará na forma reduzida (irregular, portanto).

Sabe aquelas expressões cotidianamente utilizadas por todos nós, como “eu já tinha pago [...]” ou “ele havia ganho muitos prêmios [...]”? Pois é, pessoal... O mais adequado é dizer “eu já tinha PAGADO” e “ele havia GANHADO”. Tudo isso pelo fato de os verbos “pagar” e “ganhar” admitirem as duas formas do particípio e, também, por estarem ladeados pelos auxiliares “ter” e “haver”, o que determina o emprego do particípio regular. O uso das formas irregulares (ter pago, ter ganho, etc.), todavia, já está tão difundido na língua falada, que não mais pode ser taxado como ERRO, mas como uma tendência do falante à hipercorreção ou, ainda, como uma preferência dele pelas formas mais sintéticas (mais curtinhas).
É isso!
Abração.




segunda-feira, 5 de maio de 2014

As camisas são VERDES, mas as gravatas são CINZA: a flexão das cores

Como é a concordância com nomes indicativos de COR?

Olá!
Dizer ou escrever “AS MINHAS BLUSAS SÃO VERDES” parece ser algo que não deixa espaço para dúvidas. Nesse caso, o adjetivo “verdes” – indicativo de cor – concorda, em número e em gênero, com o substantivo “blusas” (núcleo da oração). A base para a concordância de nomes indicativos de COR é sempre essa, então? Não necessariamente!
Segundo os padrões da norma culta, o mais adequado é dizer, em outro caso, “AS MINHAS BLUSAS SÃO ROSA” (e não ROSAS). Isso tudo pelo fato de “rosa” ser, na morfologia da Língua Portuguesa, um SUBSTANTIVO – diferentemente de “verde”, que é um adjetivo.
Dessa maneira, se o nome indicativo de cor equivaler a um substantivo, não haverá concordância dele com o núcleo. 
Mais exemplos:

- João comprou várias gravatas cinza.
- Marcela prefere os vestidos gelo.
- Eduardo trocou as camisas brancas pelas rosa.

Pessoal, é importante observar que, se o substantivo em questão (cinza, rosa, gelo, etc.) não indicar cor, a flexão dele passa a ocorrer de forma "normal". Dessa maneira, “AS CINZAS DE UM VULCÃO NO CHILE PARALISARAM OS AEROPORTOS LOCAIS”.

Há, ainda, outra dica para a concordância das cores. Se você tiver um adjetivo composto (dois ou mais elementos) que indique cor, deve parar para analisá-lo! Se ele for formado por dois adjetivos (ex.: calças azul-arroxeadas), apenas o último deles será flexionado. Se você tiver, contudo, um caso de adjetivo + substantivo ou vice-versa (substantivo + adjetivo), aí nenhum elemento da composição será flexionado (ex.: azul-petróleo, rosa-escuro, cinza-claro, verde-musgo, azul-pavão, etc.), mesmo se o núcleo da oração estiver no plural.

PORTANTO:
Folhas verde-escuras (adjetivo + adjetivo) => último elemento é flexionado.
MAS:
Camisas verde-piscina (adjetivo + substantivo) => nenhum elemento é flexionado.


Última dica: 
São INVARIÁVEIS os adjetivos "azul-celeste", "azul-marinho" (celeste e marinho, no caso, especificam o tipo do azul) e "ultravioleta".

Vale lembrar que essas regras são as preconizadas pela Gramática Tradicional. Na língua falada, é muito comum que façamos a flexão das cores, ainda que a “norma” destaque um caso em que os elementos são invariáveis (cor = substantivo ou, ainda, adjetivo composto por adjetivo + substantivo). 

É isso!
Abraços.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

“Saiu de casa pai e filho” & “Saíram de casa pai e filho”: concordância verbal

Olá, amigos concurseiros e vestibulandos! Como estão?

Sabemos que o conteúdo de CONCORDÂNCIA VERBAL e NOMINAL sempre é cobrado pelas provas de concursos públicos e de vestibulares. Não é à toa que isso ocorre, galera. No nosso dia-a-dia, tanto na fala quanto na escrita, recorremos (de acordo, ou não, com a norma culta) à concordância verbal e nominal com muita frequência.
Enfim, hoje abordaremos, de maneira mais específica, algumas questões relacionadas à concordância VERBAL, que é – conforme indicado pelo próprio nome da expressão – aquela que ocorre entre o VERBO da oração e o sujeito. Vamos lá!
Basicamente, até o momento em que o nosso sujeito é simples, tudo parece muito fácil: o verbo deve concordar, em número e em pessoa, com o sujeito da oração.
Exemplo:
Os leitores de Gabo se entristeceram com a morte do escritor.
- sujeito: simples, com núcleo na terceira pessoa do plural.
- verbo: terceira pessoa do plural.

As dificuldades começam a surgir a partir do momento em que o sujeito é classificado como COMPOSTO, isto é, quando apresenta dois ou mais núcleos. Nesse caso, o que devemos fazer para estabelecer a concordância entre o verbo e os múltiplos núcleos do sujeito? Muitos podem dizer: “basta concordar com todos os núcleos e deixar o verbo no plural”, mas será que isso é, de fato, suficiente? Se assim fosse, uma ocorrência como “Saiu de casa o pai e o filho” deveria estar inadequada, segundo os padrões normativos da variante culta da LP. Afirmo-lhes, no entanto, que a concordância acima está “correta” (como gostam de dizer os puristas), assim como também está adequada a concordância de “Fomos nós quem fez o trabalho de Língua Portuguesa”. Por quê? Com base nisso, vou passar algumas regrinhas que considero como as “mais fundamentais" de concordância verbal.


CONCORDÂNCIA VERBAL:
A) Com sujeito composto antes do verbo:
O verbo concorda com todos os núcleos do sujeito e, dessa forma, flexiona-se no PLURAL.
Exemplo: “O pai e o filho saíram de casa”.

B) Com sujeito composto depois do verbo:
Há duas possibilidades: o verbo pode concordar com todos os núcleos do sujeito (flexiona-se no plural, portanto) ou pode concordar apenas com o núcleo mais próximo (fica no singular).
Exemplo: “Saíram de casa o pai e o filho” OU “Saiu de casa o pai e o filho”.
No último caso, o verbo “sair” concorda apenas com o núcleo mais próximo (“pai”, ainda que “filho” também seja núcleo do sujeito composto “o pai e o filho”).

C) Com sujeito composto por pessoas gramaticais diferentes:
O verbo deverá ir para o plural da pessoa que prevalece. Quanto à “hierarquia” das pessoas gramaticais, temos o seguinte: a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª. Trocando em miúdos, a 1ª pessoa prevalece sobre todas as outras; depois, vem a 2ª e, por último, a 3ª (como em uma ordem crescente normal). Assim, seguem os exemplos:
- Eu e tu, Clarinha, devemos partir logo daqui. → 1ª pessoa do plural (1ª sobre a 2ª).
- Eu e o Carlos queremos organizar uma grande festa à fantasia. → 1ª pessoa do plural (1ª sobre a 3ª).
- Tu e os teus amigos deveis procurar ajuda. → 2ª pessoa do plural (2ª sobre a 3ª).

D) Sujeito = pronome relativo “QUE”:
Nesse caso, o verbo concorda, em número e em pessoa, com o antecedente do pronome. Há, ainda, outras regras, mas essa é a mais frequente.
Exemplos:
Fui eu que falei para vocês ficarem em casa.
Foram eles que preferiram mudar de cidade.

E) Sujeito = pronome relativo “QUEM”:
Diferentemente do item anterior, o sujeito, aqui, deve permanecer – segundo as normas mais tradicionais – na terceira pessoa do singular, uma vez que não estabelece concordância com o antecedente do pronome, mas com o próprio pronome (“quem”), que está na 3ª p. s.
Exemplos:
Fui eu quem mandou o anúncio para você.
Fomos nós quem preparou o jantar de hoje. [PODE SOAR ESTRANHO, MAS É ISSO MESMO!]
Cabe ressaltar que alguns autores já aceitam a concordância do verbo com o antecedente do pronome “quem” (principalmente nos casos em que esse antecedente está no plural). Na dúvida, entretanto, é sempre bom seguir a regra padrão.

F) Com expressão partitiva (parte de, metade de, o resto de, etc.) + nome no plural:
Ocorrem duas possibilidades: o verbo pode concordar com a expressão partitiva (permanece no singular) ou pode concordar com o nome no plural. Nesse caso, depende muito da ideia que se pretende destacar – se noção de parcela, se noção de todo.
Exemplos:
A maior parte dos pais não consegue dizer “não” para os filhos.
A maior parte das crianças de hoje já sabem lidar com as novas tecnologias.

G) Sujeitos correlacionados pelas expressões “não só..., mas também” e “tanto... quanto”:
Na grande maioria das vezes, o verbo vai para o plural.
Exemplos:
Não só a obra literária de Machado de Assis, mas também a biografia dele me encantam.
Tanto as provas da VUNESP quanto as da ESAF costumam cobrar concordância verbal em Língua Portuguesa.

H) Sujeito denota quantidade aproximada:
Com expressões como “cerca de”, “mais de”, “menos de” e similares, o verbo concorda com o substantivo.
Exemplos:
[Mais de] um soldado voltou ferido da guerra.
[Menos de] dois litros de água foram bebidos hoje.
[Cerca de] duzentas mil pessoas já se inscreveram para o concurso.


Pessoal, há muitas outras regras de concordância verbal. Eu apenas explicitei, aqui, as que costumam causar maior confusão. A maioria dos demais casos admite as duas flexões do verbo (singular ou plural), assim como no exemplo de concordância verbal com expressão partitiva + nome plural.
Antes de encerrar o assunto, gostaria de destacar que, ainda que seja imprescindível ter o domínio das normas gramaticais da LP para conseguirmos a tão sonhada vaga nos serviços públicos ou na faculdade, não podemos reduzir o português à gramática. Na verdade, todas essas regras da norma culta são necessárias e devem ser conhecidas, mas elas não são a única variante da língua portuguesa.
Espero ter ajudado.  Bons estudos para nós!
Um abraço.


PLUS!
Exemplo de questão de concordância verbal:

VUNESP-2013 (PC-SP – Agente de Polícia)
(A) A comunicação e a confiança dos filhos serão aumentadas se os pais responderem às perguntas feitas por eles com clareza e simplicidade.  
(B) A comunicação e a confiança dos filhos será aumentadas se os pais responderem às  perguntas feitas por eles com clareza e simplicidade.
(C) A comunicação e a confiança dos filhos será aumentada se os pais  responderem às perguntas feitas por eles com clareza e simplicidade.
(D) A comunicação e a confiança dos filhos serão aumentada se os pais responderem às perguntas feitas por eles com clareza e simplicidade.
(E) A comunicação e a confiança dos filhos serão aumentadas se os pais responderem às perguntas feita por eles com clareza e simplicidade.

Qual resposta está “correta”? Item A. Por quê? Nessa questão, mesclam-se regras de concordância VERBAL e NOMINAL. No que se refere ao tópico que discutimos hoje (conc. verbal), ressalta-se que o sujeito composto [“a comunicação e a confiança dos filhos”] vem ANTES do verbo, que deve flexionar-se no plural para concordar com os dois núcleos do sujeito. A alternativa E também flexionou o primeiro verbo de modo adequado, mas, em “perguntas feita”, há um problema de concordância nominal. Pronto!