terça-feira, 22 de abril de 2014

Sujeito indeterminado ou voz passiva sintética?

Olá, pessoal! 
O tema de hoje é muitíssimo cobrado por diversas bancas de concursos públicos e de vestibulares. É um assunto clássico e, portanto, TEM DE SER ESTUDADO. Tenho percebido que a matéria que discutiremos agora, de fato, consiste em uma dúvida quase universal dos concurseiros e dos vestibulandos. Sem mais mistérios, vamos ao que interessa!



Todo o mundo vê por aí aquele monte de anúncios de venda/aluguel de bens móveis ou imóveis. Também é declarada, via propaganda, a necessidade de contratação de funcionários, por exemplo. Na hora de escrever a mensagem, no entanto, surge a dúvida:
"VENDE-SE CASAS" ou "VENDEM-SE CASAS"?
"PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS" ou "PRECISAM-SE DE FUNCIONÁRIOS"?

E agora? Esse “problema” é, na verdade, um simples caso de análise do SUJEITO da oração. Na Língua Portuguesa, há cinco tipos de sujeito: simples, composto, desinencial (oculto), indeterminado e inexistente (oração sem sujeito). Para a resolução da dúvida levantada no início desta postagem, vamos passar diretamente para o exame do chamado “sujeito indeterminado”. Como o próprio nome informa, esse tipo de sujeito não está claro, mas, sim, indefinido/impreciso. Muitas vezes, não se pode ou não se deseja indicar o sujeito de uma oração, o qual é tido, por isso, como INDETERMINADO. Esse sujeito ocorre apenas em duas situações:

A) Com verbo na terceira pessoa do plural, sem referência a nenhum nome já expresso.
      Ex.: Fizeram muito barulho na festa de ontem.
B) Com verbo na terceira pessoa do singular + “se”. Esse verbo, no entanto, precisa ser intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL).
      Ex.: Construiu-se muito nos últimos tempos.

Quando se diz “fizeram muito barulho” ou “construiu-se muito”, pode-se entender que ALGUÉM (não sabemos quem) fez barulho ou que ALGUÉM (também poderia ser “muita gente”, de modo indefinido) tem construído bastante ultimamente.
O grande “pulo do gato” do sujeito indeterminado é que, com verbos na terceira pessoa do singular, é necessário analisar a classificação verbal (se há, necessariamente, VI, VTI ou VL). Se o verbo pertencer a outra categoria (VTD ou VTDI – ou seja, se tiver alguma relação com objeto direto), NÃO TEREMOS UM CASO DE SUJEITO INDETERMINADO, mas outro tipo de sujeito.

Pessoal, antes de entramos no assunto referente às outras categorias de verbo (VTD ou VTDI na terceira pessoa), é preciso ter em mente o seguinte: se houver um verbo seguido da partícula “se”, vamos parar para analisá-lo. Se ele for VI, VTI ou VL, o sujeito será indeterminado e, por isso, o verbo deverá permanecer no SINGULAR. Essa partícula, no caso, funciona como um indicativo de indeterminação do sujeito (é chamada, por isso, de índice de indeterminação do sujeito). Logo,

-PRECISA-SE DE FUNCIONÁRIOS.
(“precisar” = VTI, “de funcionários” = OI), verbo no singular, pois o termo “funcionários” não é o seu sujeito, mas parte do seu objeto indireto (“de funcionários”). O sujeito está indeterminado.
-VIVE-SE BEM.
(“viver” = VI), verbo no singular. Sujeito indeterminado.
-ERA-SE MUITO FELIZ NAQUELA ÉPOCA.
(“ser” = VL), verbo no singular. Sujeito indeterminado.

Se o verbo já estiver na terceira pessoa do PLURAL, SEM a partícula “se”, aí não há dúvida alguma: o sujeito é indeterminado, sem a necessidade de analisar o tipo do verbo (só é preciso analisar se existir o índice “se” posterior ao verbo).
Se houver, contudo, partícula “se” e, ainda, VTD ou VTDI, teremos um caso de VOZ PASSIVA SINTÉTICA (com sujeito simples ou composto). Nessas situações, o verbo deve flexionar-se de acordo com o sujeito da passiva (singular ou plural):
* VENDE-SE ESTA CASA =>o sujeito da passiva é “esta casa”.
* VENDEM-SE CASAS => o sujeito da passiva é “casas” (plural).

Se você tiver um verbo acompanhado do pronome “se” e ainda estiver com dúvidas no momento da classificação verbal (VI, VTI, VL, VTD, VTDI), pense no seguinte: eu consigo transformar a oração em uma voz passiva ANALÍTICA (aquela estrutura passiva que é maior)? Se você conseguir, PARABÉNS! Você tem, então, um caso de passiva sintética (“se” = pronome apassivador), e não de sujeito indeterminado, já que somente uma oração na voz passiva sintética ou na voz ativa (com VTD ou VTDI) pode ser transformada em voz passiva analítica. 
Exemplo:
APLICOU-SE A PROVA => A PROVA FOI APLICADA.
(voz passiva sintética) => (voz passiva analítica)

No exemplo acima, a conversão foi possibilitada pelo fato de o verbo “aplicar” ser transitivo direto (na voz ativa, ocorre: “Aplicaram a prova”).

Como a explicação ficou um pouco extensa, segue um resumo para todos nós. Espero que tenham gostado da postagem. 
Ainda nesta semana, divulgarei mais matérias de LP para concursos e vestibulares.
Abração.


RESUMINHO BÁSICO PARA A TURMA:
               
Para que ocorra SUJEITO INDETERMINADO:
Verbo na terceira pessoa do PLURAL, sem referência a nenhum nome anteriormente expresso.
Verbo na terceira pessoa do SINGULAR + “se” (índice de indeterminação do sujeito), desde que o verbo seja classificado como VI, VTI ou VL. => Neste último caso, o verbo PERMANECE no singular, independentemente do termo que o segue.
Ex.: Precisa-se de funcionários.
OBS: Não há como passar a oração acima para a voz passiva analítica (“Funcionários são precisos”???). O resultado é, no mínimo, estranho.

Para que ocorra VOZ PASSIVA SINTÉTICA:
Verbos que sejam classificados como VTD ou VTDI + “se” (pronome apassivador). Neste caso, pode-se passar a oração da voz passiva sintética para a passiva analítica, normalmente. O verbo deve concordar com o sujeito paciente; por essa razão, flexiona-se no plural caso o sujeito também esteja no plural.
Ex.: Alugam-se apartamentos.
               ↓
Apartamentos são alugados (VOZ PASSIVA ANALÍTICA, com sujeito paciente = “apartamentos”).
               ↓
Alugam apartamentos (VOZ ATIVA).



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